escamandro

Priscila Merizzio é curitibana. Escreveu dois livros de poemas: Minimoabismo (ed. Patuá, 2014), semifinalista no Prêmio Oceanos 2015 e Ardiduras (ed. 7Letras, 2016). É idealizadora e coordenadora do projeto Pulmões Versos. Faz mestrado em Letras na Universidade Tecnológica Federal do Paraná.

* * *

ter filhos é apostar no cassino
são âncoras irreversíveis
toda mãe lida com eles
ad infinitum

§

o verão cheira a eucalipto e desvario
moro nos poemas de Sylvia
brinco com fogo, atávica

§

Meu coração, se fosse mulher seria
Daquelas que giram as bolsas nas vielas e têm o rosto
Cheio de vincos, os dentes desgastados de cigarro
Um mau hálito de tanto sorrir sentindo a úlcera pinçar

§

Careço arrefecer melindres. Dar erva-mate ao potro que trota abechudo no pampa do meu peito do pé. Nos sonhos, persigo pântanos. A milonga arrochada dos grilos puiu o punhal da bruxa velha

§

Quero destituir…

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Mas estas gurias do Disk Musa são frondosas. Abaixo, poemas inéditos de minha autoria e também dois vídeo-poemas que elas fizeram desta seleção. ❤

Diskmusa

priscilaMinibio:

Priscila Merizzio é curitibana. Escreveu dois livros de poemas: Minimoabismo (ed. Patuá, 2014), semifinalista no Prêmio Oceanos 2015 e Ardiduras (ed. 7Letras, 2016). É idealizadora e coordenadora do projeto Pulmões Versos. Faz mestrado em Letras na Universidade Tecnológica Federal do Paraná.

POEMAS:

Quero destituir o medo

Esqueço que ele é uma farinha

Ladeando as artérias

Borrando os olhos, criando

Sombras e pontos-cegos

Está na água que bebo

No chilrear das aves de domingo

Está intrínseco em tudo

Exceto nas florestas.

O medo tem medo das florestas,

Pois nas copas das árvores

Está a mão de Deus

*

Meu coração, se fosse mulher seria
Daquelas que giram as bolsas nas vielas e têm o rosto
Cheio de vincos, os dentes desgastados de cigarro
Um mau hálito de tanto sorrir sentindo a úlcera pinçar

*

O sol rói como rato os bebês etiópicos
As mães choram sob seus
Corpinhos sem…

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Por Priscila Merizzio

 

michês queimam crack nas araucárias

caninos se retorcem no doce da confeitaria

a fina dor da retrátil gengiva

– alucina

 

sobrevive a cachorro-quente de coração de galinha

faz um coque com o veneno da garoa

a cabeça do Cavalo senil não chora: saliva

 

curitibanos golfam a neve de 75

no chafariz, anjos digladiam-se no Atletiba

 

flores de ipê-amarelo

esmagadas nas Ruínas

 

os gigantes da Praça dos Pelados

forram os mocassins com a Tribuna de ontem

(o gay foi assassinado)

 

– meninos de rua bebem cicuta

[Quando surgiu o convite para participar da Bienal Internacional de Curitiba 2013, a autora escreveu esse poema, Au revoir, velha Curitiba,  especialmente para o evento. O curador de Literatura da bienal, Ricardo Corona, estabeleceu alguns critérios aos poetas convidados: 1) tinha que ser Poesia; 2) os textos tinham que ter conteúdos referentes a Curitiba ;3) terem, no máximo 15 linhas. O único escritor que participou com prosa foi Dalton Trevisan]